​Cidades inteligentes: Songdo - Ciborgue em forma de cidade na Coreia do Sul

​Cidades inteligentes: Songdo - Ciborgue em forma de cidade na Coreia do Sul


Um investimento de quase 40 bilhões de dólares e 17 anos para ser construída, tornam a cidade do Norte da Ásia um dos maiores e mais caros projetos de desenvolvimento urbano já realizados.

Uma cidade com sensores por todos os lados, desde sua infraestrutura básica até atendimento emergencial mais complexo. Computadores, fechaduras, ruas e até mesmo o atendimento social interligados aos cidadãos e prestadores de serviços públicos através de uma rede digital única. Essas são características das “Ubiquitious City” (u-city), conceito que propõe reformular a relação entre os moradores e o espaço urbano.

Por um lado, a maioria das pessoas ficam encantadas com as tecnologias e as "facilidades" que a cidade oferece, por outro lado é assustador ver que uma região já existente com quase 300 mil habitantes e que todos compartilham tantas informações sem se preocupar. Será que vivemos a última geração que preocupa-se com privacidade de dados pessoais?

Inteligente x Ubíqua

“Cidades Ubíquas” e “Cidades inteligentes” são termos utilizados para descrever sistemas e plataformas tecnológicas interligadas com foco no desenvolvimento econômico e na melhoria da qualidade de vida. Mas, a diferença entre as duas definições está no planejamento. “Cidades inteligentes” buscam a digitalização de ciclos existentes. A concepção de cidades ubíquas, como Songdo na cidade de Incheon, são ambientes projetados e construídos para comportar a tecnologia onipresente, sem a interferência humana direta na maioria dos processos.

Você pode ser multado por andar rápido em uma via sem a necessidade de um policial ou um radar físico. Pode receber um oficial de justiça no exato momento que você entrar em sua casa. Se suspeitarem que você caiu no chão da sua casa, os bombeiros podem ir até seu endereço sem necessidade de um chamado de emergência. O compartilhamento de dados é constante e acessível a diversos sistemas interligados.

Para que se tenha hoje uma cidade com este avanço é necessário construí-la desde do início.

Estive recentemente em Songdo, feita sob medida para atender aos conceitos mais modernos de planejamento urbano e desenvolvimento de infraestrutura ecologicamente sustentável. A expectativa é torná-la o mais influente centro de negócios entre Rússia, Japão, China e Coreia do Sul. Seu investimento inicial ultrapassou 40 bilhões de dólares, em uma parceria pública-privada.

Aerotrópolis

Toda esta infraestrutura sofisticada é possível também a uma estratégia de desenvolvimento econômico muito agressiva. No caso desta cidade coreana, foi inspirado no modelo de uma “aerotrópolis”, ou seja, as principais atividades tem forte influência do ecossistema do aeroporto e para isto foi construído um dos maiores aeroportos do mundo, oferecendo facilidades para centros de negócio, logística e transporte.

O aeroporto dá cobertura para Incheon Free Economic Zone, que oferece diversos incentivos como redução de impostos, subsídios e apoio imobiliário na região. Um dos maiores atrativos para mudanças de empresas para lá, é por exemplo que não é cobrado por um tempo determinado impostos sobre lucros.

Songdo está localizada a menos de quatro horas de um terço da população do planeta e oferece diversos subsídios para atrair empresas internacionais. Os mais importantes mercados regionais estão muito próximos, o que faz desta cidade um epicentro comercial.

RFID - Identificação por radiofrequência

A principal particularidade de Songdo é o uso e desenvolvimento da tecnologia RFID (identificação por radiofrequência). São pequenas etiquetas com chips de circuitos integrados, que pretendem substituir os códigos de barras, porque podem ser escaneadas a distância -mesmo através de paredes- evitando filas e publicando automaticamente as informações coletadas em um banco de dados.

Este padrão de identificação possibilita aos habitantes usarem um único cartão para cumprir todas suas atividades diárias de consumo de bens, serviços ou, até mesmo, entrar em sua casa. A tecnologia RFID torna possível identificar cada atividade de um habitante, além dos passos que seu smartphone já registra.
Estes dados são armazenados e organizados para que gestores das cidades possam tomar decisões sobre tendências, melhorar performance, controlar a gestão hídrica, elétrica, mobilidade e o monitoramento da qualidade do ar de maneira mais eficiente.

Compromisso com a sustentabilidade

A produção de energia limpa — com utilização de fontes renováveis — é uma das propostas básicas de sustentabilidade do projeto da u-city.
O projeto inicial prevê que 40% da cidade é destinada à áreas verdes e à utilização de gás natural para o fornecimento de energia limpa e água quente para toda a população.

Os postes de luz da cidade possuem sensores de presença, que aumentam a intensidade somente quando há pessoas próximas.

As lixeiras têm um sistema de rede wi-fi, que detecta as informações do cidadão que compra latas ou garrafas, bonificando os ao realizar o descarte de maneira correta. O lixo orgânico é depositado em canos pressurizados e reciclado debaixo da terra, sem a necessidade de caminhões para coleta.
Sensores colocados no asfalto , interligados aos faróis, são programados para evitar engarrafamentos.

Aquela água que foi usada para lavar pratos, por exemplo, pode ser armazenada e servir para a irrigação das praças. Na cobertura de todos os edifícios foi plantada uma camada de vegetação para estocar a água da chuva e equilibrar os índices de CO2 na atmosfera.

Cidades interconectadas - com toda sua infraestrutura- têm discursos e justificativas que são tentadoras para a maioria das pessoas. Mas, escondem uma série de consequências e muitos questionamentos.

O que queremos com a tecnologia ?

As perguntas para entusiastas da tecnologia, assim como eu, são muitas. Como garantir que estas tecnologias trabalhem a favor da inclusão de pessoas em nossa sociedade, trazendo maior qualidade de vida ? Será que estas novas cidades irão criar mais diferenças sociais do que já as existentes ? Qual o comprometimento com a proteção de dados e a preservação da privacidade? Quais vantagens podemos ter neste acompanhamento personalizado dos habitantes de Songdo? A sustentabilidade exige tanta tecnologia? Apenas a sustentabilidade é o suficiente?

Sustentabilidade e tecnologia aplicadas a este conceito sul coreano configuram um discurso atraente. Porém, é necessário fortalecer em paralelo a individualidade e a proteção dos dados pessoais, bem como fomentar a inclusão e o acesso das diferentes realidades sociais.

Nesta cidade, pelo que pude perceber, somente os mais abastados desfrutam das melhorias apresentadas pela tecnologia, como numa bolha orwelliana e que perigosamente estão estabelecendo uma tendência de vigilância atrelado a facilidades e sustentabilidade.

Fonte: AppCívico | thiago Rondon





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